quinta-feira, maio 14, 2009

Ódios de estimação

Nº 1 - LOL - não há castigo suficientemente doloroso para quem cunhou tal expressão. E congéneres. Hóme, não me escrevam isso. Pior, não me DIGAM isso. Sim, que há quem se expresse de tal modo. ("Barra not", não é Suss?)

Nº 2 - 50 Cent. Não vale dois tostões, quanto mais 50 cêntimos. Como se não bastasse, é imortal. Já levou 400 tiros e não morre nem por nada. Não que eu queira que ele morra, apenas bani-lo da presença de pessoas. E animais. E plantas. Pode viver sozinho num lado qualquer, não me ofende. Podíamos fazer uma ilha à la Dubai, em forma de torradeira, no meio do Mar Morto. Podia fazer lá o ninho. Acreditem que era um investimento justificável.

Nº 3 - Erros ortográficos- Faz-me espécie. Eu compreendo o analfabetismo, a dislexia e afins. Mas pessoal instruído a escrever MALE, não dá. Pah, foram à escola, lêem as legendas dos filmes e das séries, alguma coisa devem ter apreendido, ponham-na em prática, não custa nada e só fica bem.

Nº 4 - Pessoas agressivas - para quê?

Nº5 - Burocracia - é que eu tenho vivido nessa pátria. O embrutecimento intelectual, a repetição rotineira de tarefas sem sentido, o tempo perdido, os recursos gastos.

Nº 6 - Jennifer Lopez e dessas. Podia casar-se com o 50 Cent e ir para a ilha que pensei para eles.

Título

"A vida corre inteira pelas nossa mãos, a morte morre inteira pela força das nossas mãos"

Já ouvi isto cerca de 5x a mais do que queria (ouvi 6x no total, dou sempre o benefício da dúvida).

Ora bem, vamos lá analisar esta lírica bestial. Feito um esforço hercúleo (duas sinapses e meia), concluo: mas que merda.

É que prefiro aquelas letras que não fazem sentido nenhum, que cantarolamos sem pensar, tipo Nirvana. Vós, indivíduos nostálgicos dos 90's (como eu, admito, que ainda hoje vinha a ouvir Pearl Jam no comboio para me alhear dos aromas da hora de ponta, dos enconstanços "inadvertidos", das conversas diarréicas e mais que seja), eu sei que a vida, de tão trágica que era, não nos permitia dar a devida ponderação ao que cantávamos.

All we know is restitution
Living out your date with fusion
Is the whole fleece shun in bastard
Don't feel guilty masturbating

ou ainda

All we know is Restitution
Living out your date of future
Theres a hope, please show me faster
Don't forget to pass a riot

E ainda há mais versões desta música, tantas quantas as pessoas que a ouvem. A verdade é que ninguém percebe um corno do que ele diz, mas isso não importa. O pessoal queria era cantar.

Mas isso já foi! Estamos em 2009. Não há a heroína como desculpa.

quarta-feira, maio 13, 2009

Not cool

Eh pah, eu não sou fixe. É que não sou mesmo.

Não sou pessoa de sorrir a ouvir as barbaridades alheias, só para ser simpática. Então se me forem dirigidas, já se sabe, a mui conhecida sinceridade da minha pessoa que atropela sem dó nem piedade a diplomacia. Não é que eu ande por aí a oferecer opiniões, não o faço. Apenas a dou quando me é pedida ou quando se justifica fortemente. Principalmente as pessoas que me são mais próximas, já têm tanto quem lhes diga o que querem ouvir, que quando se dirigem a mim já fizeram o aquecimento às orelhas e estão prontos.

Não me impressiono com o estilo, nem o sucesso de ninguém. De tal modo que quando me começam a debitar títulos só me apetece virar as costas e ir embora. Dificilmente trato por Dr. alguém que não seja a minha médica. Tenho uma extrema dificuldade em compreender hierarquias e autoridades. Deviam ambas ser abolidas. Eu trato com o mesmo respeito um sem abrigo, o patrão, um miúdo que meta conversa comigo ou, mais frequentemente, uma qualquer pessoa com um distúrbio mental, acho que exerço uma certa atracção a essas pessoas, porque já perdi a conta às vezes que vieram ter comigo para conversar. E, a eles, nunca nego uns minutos de atenção. Já publicidades e propagandas políticas - 'tá a andar! Faço um esforço por tratar toda a gente do mesmo modo. Acho que a boa educação está pela hora da morte, já que um "obrigado", um "se faz favor" e frases semelhantes devem custar tanto dinheiro, que ninguém as desperdiça. E fico a ver mal quando seguro a porta a alguém que não me agradece de volta.

Também não me traz felicidade alguma as formas de diversão vigentes. Não gosto de "ir ao café", para juntar pessoas. Essa do "temos de tomar um café, há que tempos que não nos vemos" faz-me confusão. Em primeiro lugar, toda a gente sabe que eu não gosto de café. Em segundo lugar, porque é que para ver alguém tenho de consumir? Porque nunca oiço "havemos de ir a um jardim, meter a conversa em dia"? Alguém duvida que um jardim, sentadinha na relva é mil vezes melhor que qualquer café?

Faz-me coiso pessoas que têm medo de se sujar. Não comem o pão porque caiu ao chão. Não sentam na relva porque tem formigas ou, Deus nos livre, pulgas ou carraças. Lavam as mãos quando tocam no que quer que seja. Tomam banho todos os dias, ou duas vezes por dia. Lavam toda a roupa que tocam, mesmo que não esteja suja nem cheire mal. Usou, é para lavar. Se saem de casa sem perfume, voltam para trás. Há uma linha muito bem definida entre ser asseado e ser desperdiçador. Eu sou asseada e não tomo banho todos os dias, tenho dias que lavo as mãos uma vez, se tanto, e só lavo a minha roupa quando está a roçar a linha do socialmente aceite.

Acho que sou, basicamente, a única pessoa da minha idade que anda de transportes públicos, coisa que é considerada um desfalque terrível na linha do sucesso pessoal.

Aqui fica o melhor poema alguma vez escrito, que sei de cor desde a primeira vez que o li, algures no secundário quando o meu professor de ITI trazia estes textos fenomenais que nos obrigava a editar. Houvessem mais professores assim. Já que tínhamos que fazer truques no Word, então que tivessem como pano de fundo alguma substância que nos deixasse a pensar ao mesmo tempo que fazíamos tarefas aborrecidas.

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


Cântico Negro - José Régio

quinta-feira, maio 07, 2009

Urticária

Há coisas que me dão comichão.

Uma delas é ver o orgulho perante a ostentação de produtos que têm origens duvidosas. Ou pior, que tem origens que até nem deixam dúvidas nenhumas: saem ou passam pelo corpo maltratado de outrém. Todos nós que temos olhos e/ou ouvidos que funcionem temos uma ligeira noção de como funcionam corporações como a Nike e afins. Sabemos que os produtos são fabricados algures na Ásia por meia dúzia de tostões e vendidos por centena e tal de euros aqui. Sabemos. Sabemos também que pelo caminho fica o trabalhador que o fez e que continua com fome, o que os transporta, os revendedores, o pai já vai e o Zé do bairro que os vendeu e ganha o salário mínimo. Permite-nos o QI acima de 80 concluir para onde vai o carcanhol.

Ora, custa-me então perceber porque é que pessoas INFORMADAS usam ténis Nike como medalhas de honra. E quem diz Nike diz qualquer uma outra marca de ténis ou de roupa. Que tiram propositadamente fotos aos pés para mostrarem aquilo por que tiveram de trabalhar durante meio mês para poderem usar.

Bem, fico tentada a pensar que tentam compensar por alguma coisa. Muitas vezes constatei que assim é. Pessoas que não gastam meia caloria para ajudar ninguém, inclusivé eles próprios. Não se esmeram por explorar as potencialidades que têm de se individualizar e de tudo fazem para pertencer a um grupo.

Não dúvido que as forças de atracção ao grupo são monumentais. Mas não será muito mais recompensador sentir que, estando alerta, nos recusamos a fazer o que esperam de nós? Sentir que a nossa existência não está pré-programada pelas forças do marketing?

Mete-me o Flávio mais uma vez a pensar com algo que me diz. Falávamos nós da necessidade de informação, que preferia morrer consciente e miserável que viver alegremente estúpida e ignorante a vida toda. Relembra-me ele que eu não tenho como ter noção de como a realidade que eu observo pode estar alterada. E é tão verdade. Eu consigo observar o mundo do ponto de vista que tinha com 15 anos, quando sabia muito menos que agora. É totalmente diferente do mundo que observo agora, não que o mundo tenha mudado assim tanto neste últimos 10 anos, mas porque os meus olhos mudaram.

Ando a ler (com vários anos de atraso) o No Logo, da Naomi Klein. Alterou-me mais uma vez a realidade. Se todos sabemos aquilo que referi no início do texto, neste livro vem muito daquilo que não sabemos. Muitas coisas eu suspeitava, obviamente. Mas não tinha noção da dimensão do problema. E que problema é esse? As marcas. A forma como usurpam o nosso espaço físico e mental, a nossa liberdade enquanto indivíduos e enquanto seres sociais que somos.

Outra micose que me dá é a da minha hipocrisia. Eu tenho marcas. Felizmente nunca fui tarada pelo assunto, mas tenho. Nunca fui capaz de comprar uns ténis de 10 euros. Mas a minha mentalidade está a mudar. Aflige-me agora a falta de alternativa. Tudo que se vê à venda é ou caro, ou feito num recanto miserável do mundo, ou tem pele.

Urge encontrar-se uma TAZ onde eu possa fazer o ninho...



segunda-feira, abril 27, 2009

Ihh ca...

Artigo de Gonçalo Pereira, editor executivo do jornal 24Horas, no Global de 24/04/2009:

"O Darfur depois de Woody Allen

A actriz Mia Farrow vai iniciar um jejum em nome do povo do Darfur. Durante algum tempo, recusa comer. Apenas água lhe passará pela goela. E, infelizemente, algum ar. Quando a larica apertar, alguém porá a mesa e ela tratará de comer do bom e do melhor, enquanto os desgraçados lá na Somália, coninuarão a morrer de fome e, eventualmente, de sede. Cá temos mais um acto inconsequente...

Que mais esperar da uma mulher que inclui no cardápio das causas pelas quais lutou, a aniquilação moral de um cineasta genial, cujo maior erro foi, um dia, ter-se apaixonado por esta mulher com voz estridente e falta de apetite. Woody Allen merecia melhor sorte. O povo do Darfur também (até mais, porque, ao contrário do Woody, os somalis nunca a escolheram para sua mulher)."



É precisamente este tipo de raciocínios que me fazem paragens de digestão. E lá respondi ao diário em questão:

"Surge um artigo de opinião no Global Notícias do dia 24 de Abril da autoria de Gonçalo Pereira que, num tom sarcástico menospreza a iniciativa de Mia Farrow de fazer uma greve de fome pelo Darfur. Ora, talvez a maioria das pessoas aproveitasse a oportunidade para tentar saber um pouco mais de o que leva uma celebridade a fazer greve de fome pelos problemas de uma região, procurando talvez pôr-se a para do que se sucede no tal Darfur. Mas não Gonçalo Pereira. Esse decide que o Darfur é um problema secundário, que nefasto para saúde social é o facto de passar algum ar pela goela de Mia Farrow, reproduzindo a expressão que ele mesmo utilizou.

Refere ele que muito não poderia esperar de uma mulher que tentou denegrir a imagem do seu idolatrado Woody Allen. Claro, que o facto de este se ter casado com aquela que foi um dia criada por ele, quando vivia maritalmente com a sua mãe não é para aqui chamado. Certamente que Gonçalo Pereira acha perfeitamente normal que a figura parental se case com a prole e que Mia Farrow é louca por lhe causar uma certa abjecção tal acontecimento.

Para Gonçalo Pereira, Woody Allen e os somalis merecia melhor sorte que esta mulher de voz estridente e falta de apetite.

Para o restante mundo que tenha no mínimo 1/5 do cérebro a funcionar, Mia Farrow merecia melhor que se ter apaixonado pelo homem que lhe levou a filha. Porque tem dedicado a sua vida aos mais desfavorecidos.

Para o resto do mundo, o povo do Darfur merece mais que Gonçalo Pereira. Que perante a notícia da greve de fome de Mia Farrow se preocupou com trivialidades e lhe passou ao lado aquilo por que Mia Farrow se absteve de comer. Chamar a atenção para um conflito que dura há anos e tem ceifado centenas de milhar de vidas perante o desprezo do resto do mundo.

Darfur, essa região no oeste do Sudão e não na Somália, soubesse isso Gonçalo Pereira se tivesse pesquisado.

Cabe também ao Global Notícias a melhor escolha das pessoas a quem pede a opinião. "

sábado, abril 11, 2009

Mr. Alan Shore

Raras vezes tenho o prazer de assistir na tv a um programa de ficção que me aguce a vontade de ser melhor, de procurar mais fundo, de me questionar mais uma vez. Ver ficção e ficar horas a pensar no que aprendi - algo que que deveria acontecer mais vezes.

Eis que surge, para exaltação dos meus sentidos, a série Boston Legal. Diálogos deliciosos entre duas das personagens principais Denny Crane e Alan Shore, que se debatem com o sentido das suas vidas. Duas personagem opostas no espectro político e juntas na total confusão dos meandros do amor.

Mas, ponto alto dos episódios, os argumentos finais de Alan Shore. Um democrata, profundamente preocupado com questões ambientais e sociais, que não se abstém jamais de dizer o que todos pensam e ninguém diz.

Podia ficar aqui parágrafo atrás de parágrafo a dizer o que me fascina nesta personagem e na série em geral. Mas deixo aqui um dos argumentos finais do Alan Shore.

Alan Shore: When the weapons of mass destruction thing turned out to be not true, I expected the American people to rise up. Ha! They didn't.

Then, when the Abu Ghraib torture thing surfaced and it was revealed that our government participated in rendition, a practice where we kidnap people and turn them over to regimes who specialize in torture, I was sure then the American people would be heard from. We stood mute.


Then came the news that we jailed thousands of so-called terrorists suspects, locked them up without the right to a trial or even the right to confront their accusers. Certainly, we would never stand for that. We did.


And now, it's been discovered the executive branch has been conductin
g massive, illegal, domestic surveillance on its own citizens. You and me. And I at least consoled myself that finally, finally the American people will have had enough. Evidentially, we haven't.

In fact, if the people of this country have spoken, the message is we're okay with it all. Torture, warrantless search and seizure, illegal wiretappings, prison without a fair trial - or any trial, war on false pretenses.

We, as a citizenry, are apparently not offended.
There are no demonstrations on college campuses. In fact, there's no clear indication that young people seem to notice. Well, Melissa Hughes noticed.

Now, you might think, instead of withholding her taxes, she could have protested the old fashioned way. Made a placard and demonstrated at a Presidential or Vice-Presidential appearance, but we've lost the right to that as well. The Secret Service can now declare free speech zones to contain, control and, in effect, criminalize protest.
Stop for a second and try to fathom that. At a presidential rally, parade or appearance, if you have on a supportive t-shirt, you can be there. If you are wearing or carrying something in protest, you can be removed. This, in the United States of America. This in the United States of America. Is Melissa Hughes the only one embarrassed?

[...]

Alan: And what I'm most sick and tired of is how every time somebody disagrees with how the government is running things, he or she is labeled unAmerican.

U.S. Attorney Jonathan Shapiro: Evidentally, it's speech time.


Alan: And speech in this country is free, you hack! Free for me, free for you. Free for Melissa Hughes to stand up to her government and say "Stick it"!


U.S. Attorney Jonathan Shapiro: Objection!


Alan: I object to government abusing its power to squash the constitutional freedoms of its citizenry. And, God forbid, anybody challenge it. They're smeared as being a heretic. Melissa Hughes is an American. Melissa Hughes is an American. Melissa Hughes is an American!

Judge Sanders: Mr. Shore. Unless you have anything new and fresh to say, please sit down. You've breached the decorum of my courtroom with all this hooting.


Alan: Last night, I went to bed with a book. Not as much fun as a 29 year old, but the book contained a speech by Adlai Stevenson. The year was 1952. He said, "The tragedy of our day is the climate of fear in which we live and fear breeds repression. Too often, sinister threats to the Bill of Rights, to freedom of the mind are concealed under the patriotic cloak of anti-Communism."


Today, it's the cloak of anti-terrorism. Stevenson also remarked, "It's far easier to fight for principles than to live up to them."
I know we are all afraid, but the Bill of Rights - we have to live up to that. We simply must. That's all Melissa Hughes was trying to say. She was speaking for you. I would ask you now to go back to that room and speak for her. "It's far easier to fight for principles, than to live up to them."

quinta-feira, abril 09, 2009

Chamem a polícia! Ou na volta é melhor não...

Ian Tomlinson.

Que este nome não seja esquecido. Mais uma baixa de uma guerra que teima em manter facções mal delineadas. Que se sabe? Era um senhor que vendia jornais. Vinha a caminhar para casa depois do trabalho e foi apanhado no meio de uma manifestação e, sem ter provocado ninguém, foi atirado ao chão, levou umas bastonadas, ergue-se, cambaleou um pouco e ficou prostrado no chão. Um ataque cardíaco fulminou-o. Quem o agrediu? A polícia britânica, a mesma que posteriormente negou alguma vez se ter cruzado com o homem. A mesma que foi apanhada pela câmara de um americano que se encontrava numa viagem de negócios. A mesma que abriu agora um inquérito para averiguar o que se passou e apurar responsabilidades.

Jean Menezes. Um brasileiro que foi baleado 7 vezes na cabeça, confundido com um bombista-suicida, no metro londrino. Façam vocês os raciocínios que tiverem a fazer.

Não nos servem e não nos protegem. E não chegam aos fins para os quais usam meios injustificáveis.

terça-feira, abril 07, 2009

E aqui e agora?

Debato-me frequentemente com a sensação de não encaixar em lado algum, à semelhança de todas as outras pessoas que numa ou noutra altura da sua vida sentiram o mesmo. Qual é a originalidade do meu sentimento? O facto da dicotomia do viver "confortavelmente" na sociedade em que estou instalada/viver no campo isolada, em contacto com a Natureza, me trazer dúvidas existenciais a cada passo que dou.

A verdade é que não seria eu se vivesse hermética em apenas um dos ambientes. Por um lado, tenho de saber o que se passa no mundo, ter acesso imediato à informação, pensar em formas de agir, ponderar os passos a tomar para evitar cair nas baladas artificiosas que nos cantam constantemente e nos atingem por todos os lados. "Ignorance is bliss" - já tentei e não consigo viver sob este paradigma.

Por outro lado, tudo aquilo que abomino na sociedade, a lógica do lucro que se sobrepõe à justiça e à compaixão, a mesquinhez e a avareza que eclipsa a solidariedade e os laços entre todos, o encadeamento na linha de montagem social, em que se entra quando se nasce e poucos saltam dela para viver sob as suas próprias expectativas e não as dos outros, nada disso será abolido enquanto não mudarmos a escala do nosso raio de acção.

A forma de organização da sociedade pensada ao nível das fronteiras conquistadas em conflitos, desenhadas em reuniões (ou terão sido aulas de geometria?) e não justificada a sua génese que não por estes ou outros motivos inqualificáveis, não é sensível às necessidades de todos e de cada um.

O desperdício que resulta das acções globais, ao mesmo tempo que largos números de pessoas nada têm, deveria ser considerado o maior dos males.

Talvez seja utópica a minha forma de pensar, porque acredito (bem... até certo ponto) que a sociedade se pode redimir, caminhando noutro sentido, pensado localmente, agindo localmente, ignorando barreiras tangíveis a que o coração não jura lealdade, o meu pelo menos.

Mas, com a minha utopia, vem também a esperança. É que fica por provar que é impossível, que não funciona. Aquilo que me têm sugerido já me mostrou o que podia ser. Um falhanço.

Aguardo o dia em que o Sol quando nascer, seja de todos. TODOS.

quinta-feira, março 05, 2009

Força

Que força é essa que nos retém quando queremos falar e não dizemos nada, quando queremos largar tudo e fugir e não saímos do sítio, quando vemos injustiças e olhamos para o lado, quando sabemos que não agimos bem e não nos mudamos?

sexta-feira, agosto 08, 2008

Baza ser subversivo?

Baza...
...ter mais um dedo de testa que os demais?
...tentar olhar para onde as nossas pernas não chegam?
...lembrarmo-nos que somos um em 6.7 mil milhões?
...que desses fazemos parte do 1/10 que nunca vai passar fome?
...denunciar o que está mal, ignorando o politicamente correcto?
...dizer que fazemos o que é suposto, mas contrariados?
...gritar bem alto que SABEMOS a ludibriação que estamos a ser alvo continuamente?
...mostar o nosso orgulho por estarmos CIENTES?

Baza aí?

Why don't we end this lie?
I can't pretend this time
I need a friend to find,
My broken mind, before it falls to pieces...

Every time,
You tried to leave me blind
You'll never close my eyes,
You'll never close my eyes and watch me die!

quinta-feira, junho 05, 2008

Só estou feliz quando chove

Realmente quando já está escrito o que sentimos, há que poupar recursos... :)

Im only happy when it rains
Im only happy when its complicated
And though I know you cant appreciate it
Im only happy when it rains
You know I love it when the news is bad
Why it feels so good to feel so sad
Im only happy when it rains

Pour your misery down
Pour your misery down on me
Pour your misery down
Pour your misery down on me

Im only happy when it rains
I feel good when things are going wrong
I only listen to the sad, sad songs
Im only happy when it rains

I only smile in the dark
My only comfort is the night gone black
I didnt accidentally tell you that
Im only happy when it rains
Youll get the message by the time Im through
When I complain about me and you
Im only happy when it rains

Pour your misery down...pour your misery down
Pour your misery down on me...pour your misery down
Pour your misery down...pour your misery down
Pour your misery down on me...pour your misery down
Pour your misery down...pour your misery down
Pour your misery down on me...pour your misery down
Pour your misery down...pour
You can keep me company
As long as you dont care

Im only happy when it rains
You want to hear about my new obsession
Im riding high upon a deep depression

terça-feira, junho 03, 2008

Better

there's no sense waiting in this state
i've realized too late
there's only so much left inside
only so much space to hide
i've dreamed of castles in the air
but i've found out where
i need a break or a vacation
before i give myself a scare

don't try to understand me
your logic won't command me
don't try to read between my mind

if i could kill you with a touch
i'd never hate this much
one thousand colors every day
but all i see is grey my history is plagarized
i feel desensitized
maybe one more shot of reason
will ripple this disguise

i told that man just what i thought of him
so i'm right where i am
tied to this bed subconciously restrained
and now i wish i hadn't said
what i said to both of my parents
because i made my mother cry
if they'd only wait
i'll make it up to them
because i can be a better man

i'm floating in a frozen sea
i'll watch the morning break
giving way to shades of brown
i see the colors all around
for once there's no one here but me
and my autumn reverie
and in my heart i know it's as close
as i'll ever be



Hell yeah, Russ!

Wounds from within...

...that tend to see the light when least expected.










Sucks.








sexta-feira, maio 30, 2008

Inércia, solidão, desânimo e objectivos

Dois empregos e faculdade para acabar. A pressão para "ser alguém" aliada à (des)motivação do "assim hás-de ir longe, tsc tsc".

Honestamente, não é que não ligue ao que os outros pensam de mim e do que eu faço, mas raras vezes isso se traduz numa mudança de comportamento. Eu oiço o que me dizem e sinto frequentemente a sensação de desilusão nas pessoas por eu não pôr em prática os seus conselhos, mas acabo sempre por fazer aquilo que a mim me parece correcto. Que nunca, ou quase, coincide com a definição geral de "correcto".

A verdade é que eu escolhi percorrer um caminho que poucos seguem. A diferença, por vezes, é díficil de ver. Eu olho para a minha vida e para a vida dos que me rodeiam e não diferem assim tanto. A diferença é no grau de consciência do estado em que me encontro.

Dizia o Sócrates que o ignorante não duvida porque desconhece que ignora. E é precisamente isso que penso da vida de toda a gente (pelo menos de boa parte). Acho que uma das melhores coisas que já adquiri foi a capacidade de duvidar. Eu duvido o suficiente de tudo para me prestar a uma boa dose de meditação sobre tudo, para que possa tirar as minhas próprias ilações. Eu procuro saber sempre o que está por trás das respostas que me dão, depois então as aceito como credíveis ou não. Resultado: eu sei o que a minha vida é e eu sei o potencial do que uma vida pode ser. Não num sentido idealista, de quem vê a vida dos outros na tv e sonha poder ter uma igual.

As injecções de informação têm-me servido para isso. E, qual lótus, nascem os meus objectivos, do lodo que é a inércia, a solidão e o desânimo. E aquele que me ferve mais o sangue é precisamente passar aos outros as lições que tenho aprendido. Não como um mestre ensina os seus discípulos. De um modo bem mais humilde: procurando a verdade e expondo-a para que os outros assimilem e tomem as suas decisões. Seja pela escrita, seja pela fotografia, seja pelas minhas acções.

Não que ache que isso vai fazer a diferença, tantos antes de mim o tentaram e a verdade é que a Terra não o alterou o seu eixo por isso. E não é motivo suficiente para eu deixar de o fazer.

Um dia destes...

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Oh tempo...

... que não vinha cá!
Fiz bem , férias merecidas, restituição dos neurónios queimados a escrever nisto!
Eu volto... Em breve!

sexta-feira, junho 22, 2007

Não sei que título dar

Pearl Jam.
Esse marco incontornável da minha adolescência. Das calças rasgadas, os All Stars, as Doc Marteens, as camisas de flanela aos quadrados, os cabelos compridos até mais não...
Quem me conhece sabe que A banda para mim era Nirvana. Não havia um centímetro quadrado de parede do meu quarto que não fizesse alusão ao grupo. Mas Pearl Jam teve o seu lugar. Pelos motivos que todos sabemos, ver um concerto de Nirvana nunca foi possível. Mas fui dia 8 de Junho ver um de Pearl Jam.
Devo dizer que só agor me senti capaz de escrever sobre isso.

Independentemente da evolução dos meus gostos musicais desde os longínquos mid '90s, da fase da matrequice, à passagem pelo punk-hardcore e à minha actual situação (que não sei descrever), nada me marcou como o grunge. Emocionalmente falando. Grunge representava precisamente tudo o que eu sentia. Não sendo uma pessoa introspectiva, esgotava as minhas energias todas a pensar nos meus problemas (que vejo hoje que eram bem menos do que eu pensava). Não sendo depressiva, era extremamente pessimista. A música era a minha melhor amiga. Sentia que todas as letras tinham sido escritas por mim.

Ter-me virado para o hardcore fez-me voltar para fora. Prestar atenção às questões sociais, ganhar consciência política, apaixonar-me por causas. Isso mudou tudo em mim. A forma como encaro o mundo, como ajo, como penso. Mas também marcou o ponto em que deixei de me sentir como me sentia. Não é que me negligencie ou que vá dizer com um sorriso cínico "eu não penso em mim, só nos outros", mas a verdade é que não sinto as coisas intensamente, como sentia antes. Quando digo "coisas" refiro-me às que me concernem. Sinto intensamente o mundo à minha volta, mas estou numa semi-letargia emocional.

Algés, dia 8 de Junho de 2007. Eu, o Zé, o Alex e mais outras pessoas vimos o concerto de Pearl Jam. Faço só referência a esses dois porque são duas pessoas muito importantes para mim e tê-los ao meu lado nesse concerto fez muita diferença. O concerto foi indescritivelmente bom. As músicas bem tocadas, ou não andassem eles nisto há quase 20 anos. O Eddie Vedder criou uma relação com o público incrível. Ele brinca com o público. Mas eu voltei quase uma década atrás e senti-me. Por vezes fechava os olhos e só estava lá eu e a banda e os meu problemas de menina. Foi estupidamente intenso para mim. Nem vou continuar a descrever o que senti. Vim de lá e flutuava.

E foi bom entrar na máquina do tempo. Muito bom. "I´m still alive", já diziam eles.

sexta-feira, junho 15, 2007

Oscar Wilde

Citações do senhor:

"Education is an admirable thing, but it is well to remember from time to time that nothing that is worth knowing can be taught."

"America is the only country that went from barbarism to decadence without civilization in between."

"Every saint has a past and every sinner has a future. "

"My great mistake, the fault for which I can't forgive myself, is that one day I ceased my obstinate pursuit of my own individuality."

"The old believe everything, the middle-aged suspect everything, the young know everything."

Conversas...



Estava eu e o Eddy a conversar, no jantar do estágio de Shorinji Kempo, estando também outras pessoas à mesa. Falávamos sobre a morte, a possibilidade de vida depois dela e temas afins. E assim foi:


- Eddy, eu acredito na vida depois da morte na medida em que, quando morremos, o nosso corpo se decompõe e cada um dos nossos átomos vai integrar outras coisas. Passa a fazer parte da terra onde somos enterrados e, a partir daí, pode assumir um número ínfimo de formas. Podem ou não ser orgânicas. Se forem, posso ser daí a um tempo uma couve lombarda ou qualquer outra coisa.


- Ou seja, esta cerveja que estou a beber pode ter sido a mesma cerveja que o Júlio César bebeu!


- Mais te digo! Podes estar a beber o Júlio César...