É epidémico, tem cura mas o paciente mostra-se bastante resistente em aceitá-la. É um flagelo social, triste, embaraça-me.
Falo de algo que de que tenho vindo a ganhar percepção. Já sabia que existia, mas não tinha noção da forma como se tinha instalado: o modo como as pessoas jogam com a vida dos outros e com a sua própria. Em primeiro lugar, pelo facto de acharem que sozinha não conseguem. Apenas ganha forma o seu projecto de vida, a valorização pessoal quando têm alguém.
Sei que ninguém quer estar sozinho. Não me refiro, naturalmente, aos estados de solidão crónicos. Falo-me ao fim de relações e de busca imediata que se faz, em seguida, para alguém substituir o lugar que ainda não arrefeceu.
Chamemos-lhe Hermínia. Acabou com uma relação de 10 anos com o Alberto. Ora, precisa que outro Alberto que lhe coce a comichão. Vai sair à noite. Traz 3 novos números de telemóvel para casa. Como especialista de Recursos Humanos que é, avalia os candidatos por fases. Uns vão passando à próxima, outros ficando pelo caminho. Que avaliar? Em primeiro lugar, a estabilidade financeira que lhe pode proporcionar. Depois, se lava a vista ou não. Depois... logo se vê. O que realmente importa já foi dito.
Na saída seguinte, ou no hi5 ou facebook, ou afins, vai angariado mais contactos. Passa à fase de os pôr à prova fisicamente. Vão "beber cafés", depois sair mais umas vezes. Depois... já se sabe.
Ora, nenhum sabe da existências dos outros potenciais candidatos, ninguém sabe que está a ser testados. Todos crêem na beleza da aleatoriedade do universo dos encontros e na magia da criação de laços e fortalecimento de sentimentos. Nenhum sabe que vai ser metido a andar assim que a selecção for feita.
Hermínia falha de novo, escolhe mal, ou novo Alberto se arrepende e tudo começa. Desta feita com a facilidade de já ter anteriores contactos e ser relativamente fácil meter idiotas a pensar que se arrependeu, que afinal é especial.
E pronto. Aposto que todos conhecem uma Hermínia. Eu conheço várias.
segunda-feira, agosto 31, 2009
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1 comentário:
Que há a dizer disto numa sociedade de consumo imediato? Tb se consome imediatamente aqueles que pensamos poderem ser possíveis parceiros!
Se pensarmos, quase ninguém pensa nisso... apenas se fica feliz pelo número de "pretendentes" que se tem... todos achamos que somos únicos mas quase ninguém respeita a unicidade do próximo.
Antigamente não era melhor...a escolha de alguém resumia-se a casamentos feitos, ou ao moço do mesmo bairro que nos "arrastava a asa". Ninguém quer ser "uma Hermínia" porque sempre achamos que conseguimos ser melhores. Eu digo: desde que estejam todos bem com isso. Sejam felizes e deixem ser!
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