terça-feira, junho 16, 2009

Não sou só uma embalagem

Deixo aqui a música que voltou ao meu coração:

Just lump everyone in. Then you don't have to begin. To use discrimination. And to set the matter straight. And to end some pointless hate. Here's some information: I'm not proud of my place of birth. some random place on earth. I claim no nationality. I'm no religious institution or denomination. I'm a separate personality. Don't put your labels on me. There's so much more you can't see. Stop soncocting stories, inventing categories. Of who I should be. We're all in cults - I'm not alone. Before you go and cast the first stone. Think of all thats programmed in your head. All these loaded words aside, The question is: how to purify life? Soon you'll be dead. Although you point at me. It's obvious to see: That all the people do conform. And that this whole world's a stage. And everyone's engaged in dressing in different uniforms. To become unconditioned from society. You must know who you are, originally. Take a look at the costume you wear. From your sneakers to your hair. Who's life is the fantasy? All designations aside. I'm not trying to hide. Behind some churchianity. We're all wandering spirit souls. And if you too want life's goal. We must develop honesty

Shelter- Not just a package

quarta-feira, junho 10, 2009

Momentos

Há momentos que nos ficam gravados na memória de forma indelével. Vou deixar aqui uns.

- Uma dia, antes de um concerto de New Winds, ainda não tinha ninguém entrado na sala, só o pessoal das bandas, meteu-se o Tiago a tocar baixo para estar entretido. Nisto o Break agarra no microfone e o Tiago começou a tocar a Progressive Man, de Shelter e o Break a cantá-la. Ninguém estava lá a ouvi-los, só eu. E bateu-me de uma maneira absurda. Para quem não sabe que música é vá procurá-la, mas basicamente tem uma letra brutal, onde é descrita a forma fria como o Homem pode agir com outra pessoal. É uma letra de uma sinceridade chocante. Ainda hoje me lembrei disso.

- Eu, a Cátia e a Ana Rita, em casa da Ana Rita a ver fotos dela quando ela era pequena. Nisto surge uma que desencadeou o maior ataque de riso que alguma vez tive. Doía-me tudo. Tive de fugir de ao pé da Ana e a Cátia veio a correr atrás de mim e trancámo-nos no quarto dos pais da Ana porque ela se ria tanto que só de olhar para ela ainda ríamos mais. Resultado, eu no chão a rir porque não tinha, literalmente, força nas pernas para andar. A Cátia na mesma figura. E a Ana também, mas do lado de fora do quarto porque não a deixei entrar porque corria sérios riscos de molhar as calças pela primeira depois de ter aprendido a usar a sanita. Não garanto que tenha resultado na totalidade. A foto em causa, não a vou descrever porque é daqueles momentos nossos. Dava meio fígado para a ter. Não teria um dia triste na vida.

- Eu e a minha prima nos Verões dos Foros de Amora. Começou a trovejar como se não houvesse amanhã. Que é que as duas chicas-espertas fazem? Dirigem-se ao telhado para ver melhor. Apanhámos uma molha valente e, felizmente, nenhum raio. Uma vizinha viu-nos e chibou-se. Castigo. Dia seguinte, queríamos ir ter com os gandulos à noite, mas estávamos de castigo. Que fazemos? Saltamos o portão. Saltei, vem a Lili atrás e fica presa pelas costas da camisola nos picos do portão. Lá voltei a entrar e tentei soltá-la sem fazer barulho, já que estávamos a cometer ilegalidades. Resultou, mas contemos o riso até chegarmos ao fim da rua.

- Eu e o meu irmão. Uma vez deu-nos uma pancada qualquer quando começámos a ouvir a Bullet with butterfly wings, de Smashing Pumpkins e agarrámos numa almofadas e fizemos o maior espancamento almofágico de sempre, acompanhado por um headbang mesmo à hóme. Tive 1 semana com umas dores no pescoço que não virava a cabeça para lado nenhum.

- Eu, Kiko, a Vera e o meu irmão. Fomos explorar os montes barcarenenses, estava a Crel em construção e ainda dava para atravessar a pé. Vou eu munida do top, os calções de lycra e umas sandálias mesmo à Verão de 93. Que tinha uma sola toda flexível e uns elásticos. O Kiko tinha descoberto uma entrada para um mina, que tinha sido tapada, mas tinha um buraco por onde conseguíamos entrar, de cabeça. Assim fizémos. Não sabíamos é que no fundo do buraco havia umas escadas. Ora, entrámos julgando que era só meter as mãos no chão e deixar entrar o resto do corpo. Diga-se que a cornadura foi escada abaixo parecia o Space Shuttle. Já lá dentro, havia 3 caminhos por onde seguir. Um estava tapado ao fim de poucos metros. Outro era escuro e não se via o fundo e o último via-se uma luz no fundo do túnel. O meu irmão e a Vera borraram-se todos e ficaram nas escadas e eu e o Kiko seguimos o túnel que ficava cada vez mais baixo até acabarmos por ter de fazer os últimos metros de rastos no chão até chegar à luz. Que luz era? Do céu, estávamos no fundo de um poço. Satisfeita a curiosidade saímos e fomos à procura de mais minas. No fim da tarde, decidimos ir por um atalho e descemos a vertente por um cano de escoamento de água que estava seco. A ideia era descer tipo escorrega, mas quando nos sentámos deixámos entrar pedrinhas e descemos não sei quantas dezenas de metros com pedra a raspar debaixo do cu. Conclusão, cheguei cá a baixo e tinha o rabinho todo queimado. Foi de uma agressividade que fiquei com dois buracos enormes nos calções e uma ferida enorme em cada nádega. Fui a correr para casa para tomar banho e ir para os anos do Marcos. Não me sentei a festa toda.

Um dia conto mais.

quarta-feira, junho 03, 2009

Lindo dia

"Suss, tenho boas e más notícias. As más é que esta estação de seu nome Foros de Amora na verdade fica na Cruz de Pau e vamos ter de andar até à casa da minha avó, essa sim nos Foros de Amora. A boa notícia é que não está a chover."

E ao caminho nos fizemos com o meu sempre fiel e desobediente canito, Dennis. Para não variar nada, que a gente até gosta, a falar da vida. Das nossas eternas dúvidas existenciais. Adoramos ficar que tempos a analisar circunstâncias e eventos para no fim concluirmos que não sabemos nada. Resume-nos a comuns mortais e assim gosto que seja. A pressão de saber mais ou ser mais pode ser esmagadora e traz tão grande responsabilidade. Retira-nos a justificação para as nossas próprias menos boas acções. Sendo iguais podemos sempre alegar que errar é humano... Mas sabemos mais que isso.

Vemo-nos constantemente e evoluir na idade e a manter velhos hábitos, velhas dúvidas, velhas cruzes. Eu gosto, faz-me sentir mais humana. Para alguém que tem uma certa arrogância (como é o meu caso), ter tanto que me foge ao controlo é uma lição de humildade.

Lá continuámos até ao pinhal para prosseguir com as confissões. Nada como nos expormos as nossas vulnerabilidades perante uma certa beleza cénica.

Foi muito bom. Felicidade pode ser uma boa conversa e uns pés cagados.