Debato-me frequentemente com a sensação de não encaixar em lado algum, à semelhança de todas as outras pessoas que numa ou noutra altura da sua vida sentiram o mesmo. Qual é a originalidade do meu sentimento? O facto da dicotomia do viver "confortavelmente" na sociedade em que estou instalada/viver no campo isolada, em contacto com a Natureza, me trazer dúvidas existenciais a cada passo que dou.
A verdade é que não seria eu se vivesse hermética em apenas um dos ambientes. Por um lado, tenho de saber o que se passa no mundo, ter acesso imediato à informação, pensar em formas de agir, ponderar os passos a tomar para evitar cair nas baladas artificiosas que nos cantam constantemente e nos atingem por todos os lados. "Ignorance is bliss" - já tentei e não consigo viver sob este paradigma.
Por outro lado, tudo aquilo que abomino na sociedade, a lógica do lucro que se sobrepõe à justiça e à compaixão, a mesquinhez e a avareza que eclipsa a solidariedade e os laços entre todos, o encadeamento na linha de montagem social, em que se entra quando se nasce e poucos saltam dela para viver sob as suas próprias expectativas e não as dos outros, nada disso será abolido enquanto não mudarmos a escala do nosso raio de acção.
A forma de organização da sociedade pensada ao nível das fronteiras conquistadas em conflitos, desenhadas em reuniões (ou terão sido aulas de geometria?) e não justificada a sua génese que não por estes ou outros motivos inqualificáveis, não é sensível às necessidades de todos e de cada um.
O desperdício que resulta das acções globais, ao mesmo tempo que largos números de pessoas nada têm, deveria ser considerado o maior dos males.
Talvez seja utópica a minha forma de pensar, porque acredito (bem... até certo ponto) que a sociedade se pode redimir, caminhando noutro sentido, pensado localmente, agindo localmente, ignorando barreiras tangíveis a que o coração não jura lealdade, o meu pelo menos.
Mas, com a minha utopia, vem também a esperança. É que fica por provar que é impossível, que não funciona. Aquilo que me têm sugerido já me mostrou o que podia ser. Um falhanço.
Aguardo o dia em que o Sol quando nascer, seja de todos. TODOS.
terça-feira, abril 07, 2009
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