segunda-feira, agosto 31, 2009

H1Nlove

É epidémico, tem cura mas o paciente mostra-se bastante resistente em aceitá-la. É um flagelo social, triste, embaraça-me.

Falo de algo que de que tenho vindo a ganhar percepção. Já sabia que existia, mas não tinha noção da forma como se tinha instalado: o modo como as pessoas jogam com a vida dos outros e com a sua própria. Em primeiro lugar, pelo facto de acharem que sozinha não conseguem. Apenas ganha forma o seu projecto de vida, a valorização pessoal quando têm alguém.

Sei que ninguém quer estar sozinho. Não me refiro, naturalmente, aos estados de solidão crónicos. Falo-me ao fim de relações e de busca imediata que se faz, em seguida, para alguém substituir o lugar que ainda não arrefeceu.

Chamemos-lhe Hermínia. Acabou com uma relação de 10 anos com o Alberto. Ora, precisa que outro Alberto que lhe coce a comichão. Vai sair à noite. Traz 3 novos números de telemóvel para casa. Como especialista de Recursos Humanos que é, avalia os candidatos por fases. Uns vão passando à próxima, outros ficando pelo caminho. Que avaliar? Em primeiro lugar, a estabilidade financeira que lhe pode proporcionar. Depois, se lava a vista ou não. Depois... logo se vê. O que realmente importa já foi dito.

Na saída seguinte, ou no hi5 ou facebook, ou afins, vai angariado mais contactos. Passa à fase de os pôr à prova fisicamente. Vão "beber cafés", depois sair mais umas vezes. Depois... já se sabe.

Ora, nenhum sabe da existências dos outros potenciais candidatos, ninguém sabe que está a ser testados. Todos crêem na beleza da aleatoriedade do universo dos encontros e na magia da criação de laços e fortalecimento de sentimentos. Nenhum sabe que vai ser metido a andar assim que a selecção for feita.

Hermínia falha de novo, escolhe mal, ou novo Alberto se arrepende e tudo começa. Desta feita com a facilidade de já ter anteriores contactos e ser relativamente fácil meter idiotas a pensar que se arrependeu, que afinal é especial.

E pronto. Aposto que todos conhecem uma Hermínia. Eu conheço várias.

terça-feira, junho 16, 2009

Não sou só uma embalagem

Deixo aqui a música que voltou ao meu coração:

Just lump everyone in. Then you don't have to begin. To use discrimination. And to set the matter straight. And to end some pointless hate. Here's some information: I'm not proud of my place of birth. some random place on earth. I claim no nationality. I'm no religious institution or denomination. I'm a separate personality. Don't put your labels on me. There's so much more you can't see. Stop soncocting stories, inventing categories. Of who I should be. We're all in cults - I'm not alone. Before you go and cast the first stone. Think of all thats programmed in your head. All these loaded words aside, The question is: how to purify life? Soon you'll be dead. Although you point at me. It's obvious to see: That all the people do conform. And that this whole world's a stage. And everyone's engaged in dressing in different uniforms. To become unconditioned from society. You must know who you are, originally. Take a look at the costume you wear. From your sneakers to your hair. Who's life is the fantasy? All designations aside. I'm not trying to hide. Behind some churchianity. We're all wandering spirit souls. And if you too want life's goal. We must develop honesty

Shelter- Not just a package

quarta-feira, junho 10, 2009

Momentos

Há momentos que nos ficam gravados na memória de forma indelével. Vou deixar aqui uns.

- Uma dia, antes de um concerto de New Winds, ainda não tinha ninguém entrado na sala, só o pessoal das bandas, meteu-se o Tiago a tocar baixo para estar entretido. Nisto o Break agarra no microfone e o Tiago começou a tocar a Progressive Man, de Shelter e o Break a cantá-la. Ninguém estava lá a ouvi-los, só eu. E bateu-me de uma maneira absurda. Para quem não sabe que música é vá procurá-la, mas basicamente tem uma letra brutal, onde é descrita a forma fria como o Homem pode agir com outra pessoal. É uma letra de uma sinceridade chocante. Ainda hoje me lembrei disso.

- Eu, a Cátia e a Ana Rita, em casa da Ana Rita a ver fotos dela quando ela era pequena. Nisto surge uma que desencadeou o maior ataque de riso que alguma vez tive. Doía-me tudo. Tive de fugir de ao pé da Ana e a Cátia veio a correr atrás de mim e trancámo-nos no quarto dos pais da Ana porque ela se ria tanto que só de olhar para ela ainda ríamos mais. Resultado, eu no chão a rir porque não tinha, literalmente, força nas pernas para andar. A Cátia na mesma figura. E a Ana também, mas do lado de fora do quarto porque não a deixei entrar porque corria sérios riscos de molhar as calças pela primeira depois de ter aprendido a usar a sanita. Não garanto que tenha resultado na totalidade. A foto em causa, não a vou descrever porque é daqueles momentos nossos. Dava meio fígado para a ter. Não teria um dia triste na vida.

- Eu e a minha prima nos Verões dos Foros de Amora. Começou a trovejar como se não houvesse amanhã. Que é que as duas chicas-espertas fazem? Dirigem-se ao telhado para ver melhor. Apanhámos uma molha valente e, felizmente, nenhum raio. Uma vizinha viu-nos e chibou-se. Castigo. Dia seguinte, queríamos ir ter com os gandulos à noite, mas estávamos de castigo. Que fazemos? Saltamos o portão. Saltei, vem a Lili atrás e fica presa pelas costas da camisola nos picos do portão. Lá voltei a entrar e tentei soltá-la sem fazer barulho, já que estávamos a cometer ilegalidades. Resultou, mas contemos o riso até chegarmos ao fim da rua.

- Eu e o meu irmão. Uma vez deu-nos uma pancada qualquer quando começámos a ouvir a Bullet with butterfly wings, de Smashing Pumpkins e agarrámos numa almofadas e fizemos o maior espancamento almofágico de sempre, acompanhado por um headbang mesmo à hóme. Tive 1 semana com umas dores no pescoço que não virava a cabeça para lado nenhum.

- Eu, Kiko, a Vera e o meu irmão. Fomos explorar os montes barcarenenses, estava a Crel em construção e ainda dava para atravessar a pé. Vou eu munida do top, os calções de lycra e umas sandálias mesmo à Verão de 93. Que tinha uma sola toda flexível e uns elásticos. O Kiko tinha descoberto uma entrada para um mina, que tinha sido tapada, mas tinha um buraco por onde conseguíamos entrar, de cabeça. Assim fizémos. Não sabíamos é que no fundo do buraco havia umas escadas. Ora, entrámos julgando que era só meter as mãos no chão e deixar entrar o resto do corpo. Diga-se que a cornadura foi escada abaixo parecia o Space Shuttle. Já lá dentro, havia 3 caminhos por onde seguir. Um estava tapado ao fim de poucos metros. Outro era escuro e não se via o fundo e o último via-se uma luz no fundo do túnel. O meu irmão e a Vera borraram-se todos e ficaram nas escadas e eu e o Kiko seguimos o túnel que ficava cada vez mais baixo até acabarmos por ter de fazer os últimos metros de rastos no chão até chegar à luz. Que luz era? Do céu, estávamos no fundo de um poço. Satisfeita a curiosidade saímos e fomos à procura de mais minas. No fim da tarde, decidimos ir por um atalho e descemos a vertente por um cano de escoamento de água que estava seco. A ideia era descer tipo escorrega, mas quando nos sentámos deixámos entrar pedrinhas e descemos não sei quantas dezenas de metros com pedra a raspar debaixo do cu. Conclusão, cheguei cá a baixo e tinha o rabinho todo queimado. Foi de uma agressividade que fiquei com dois buracos enormes nos calções e uma ferida enorme em cada nádega. Fui a correr para casa para tomar banho e ir para os anos do Marcos. Não me sentei a festa toda.

Um dia conto mais.

quarta-feira, junho 03, 2009

Lindo dia

"Suss, tenho boas e más notícias. As más é que esta estação de seu nome Foros de Amora na verdade fica na Cruz de Pau e vamos ter de andar até à casa da minha avó, essa sim nos Foros de Amora. A boa notícia é que não está a chover."

E ao caminho nos fizemos com o meu sempre fiel e desobediente canito, Dennis. Para não variar nada, que a gente até gosta, a falar da vida. Das nossas eternas dúvidas existenciais. Adoramos ficar que tempos a analisar circunstâncias e eventos para no fim concluirmos que não sabemos nada. Resume-nos a comuns mortais e assim gosto que seja. A pressão de saber mais ou ser mais pode ser esmagadora e traz tão grande responsabilidade. Retira-nos a justificação para as nossas próprias menos boas acções. Sendo iguais podemos sempre alegar que errar é humano... Mas sabemos mais que isso.

Vemo-nos constantemente e evoluir na idade e a manter velhos hábitos, velhas dúvidas, velhas cruzes. Eu gosto, faz-me sentir mais humana. Para alguém que tem uma certa arrogância (como é o meu caso), ter tanto que me foge ao controlo é uma lição de humildade.

Lá continuámos até ao pinhal para prosseguir com as confissões. Nada como nos expormos as nossas vulnerabilidades perante uma certa beleza cénica.

Foi muito bom. Felicidade pode ser uma boa conversa e uns pés cagados.

terça-feira, maio 19, 2009

Palas

Nos olhos, claro está.

Eu tenho valores que defendo. Com determinação, mas de forma discreta. Já fui mais agressiva nas minhas manifestações, agora não tenho tanta paciência para me defender.

Uma coisa que fui aprendendo ao longo do tempo é que as pessoas quando entram num debate, raras vezes é para aprenderem alguma coisa com ele. Quando discutem é para ganharem (não sei muito bem o quê). Sou vegetariana há 10 anos e já ouvi TODO o tipo de argumentos contra. É que todos. Cada pessoa que me abordava em relação a essa temática tinha a sua própria teoria contra, achando-a brilhante e original, sem saber que já a tinha ouvido dezenas de vezes. Nunca ouvi um argumento que cilindrasse a pertinência da escolha do meu tipo de alimentação.

A razão é simples. As pessoas assumem que se sou vegan é porque sou uma defensora acérrima dos direitos dos animais e, quanto a isso, há sempre incoerências. É extremamente difícil abdicar de produtos livres de crueldade. À partida assumo que toda a gente considere os humanos como animais. Há-de me dizer um vegan que seja que leva uma vida livre de crueldade, que não consome produtos com animais e vindo da exploração de animais (humanos incluídos).

Deixo aqui bem claro porque motivo não bebo, não fumo e não como produtos de origem animal. Em relação à bebida e ao consumo de substâncias, não é certamente porque uma banda nos anos 80 decidiu cunhar a expressão que veio a definir todas as pessoas que vivem livres disso. Não fumo e não bebo porque prezo a sanidade do meu cérebro e a integridade do meu corpo. Não o fazia muito antes de ouvir a expressão Straight Edge. Já experimentei vários tipos de bebidas alcoólicas na minha adolescência e a verdade é que não gostei de nenhuma. Não gostei da sensação do álcool a escorregar garganta abaixo e ninguém me diga "esta é fraquinha nem sentes o álcool" ou "sei uma bebida que ias adorar, parece sumo". Se tiver uma gota de álcool, eu noto e não gosto. E não compreendo porque pessoas bebem bebida atrás de bebida para alterar o seu estado. Eu gosto de ter noção do que faço.

Em relação ao fumo, em primeiro lugar abomino a indústria tabaqueira em segundo lugar, também me permiti experimentar e usufruir do que não se pode na adolescência. Deu para rir, move on.

No que concerne o veganismo, também é simples. Em primeiro lugar, porque posso. Vivo numa sociedade que tem ao meu dispôr todo o tipo de produtos para que não me falte nada. Se vivesse numa ilha com poucos recursos, teria de comer peixe. Precisaria das proteínas e dos sais minerais e não teria outra escolha, já que para mim ficar doente não é opção. Em segundo lugar, porque a criação intensiva de animais é cruel, destrói o ambiente e é desnecessária.

As pessoas comem 3x mais proteínas do que as que necessitam e têm a errada ideia de que precisam de comer carne todos os dias. Na verdade não precisam de comer carne alguma, uma vez que vêm satisfeitas a suas necessidades nutricionais com todos os outros produtos.

Não tenho nada contra a predação, considero-a natural. Animais comem animais. Tribos caçam, porque a carne é um contributo valioso para a sua alimentação. Algumas fazem rituais de agradecimento ao animal que sacrificou a sua vida para que eles pudessem sobreviver. Esse tipo de respeito pela vida não existe na nossa sociedade. Na qual não faz sentido algum caçar, porque há comida em todo o lado. Caçam por recriação.

Vegan e sXe que militam pelas suas causas, mas depois compram roupa de marca, comem como uns ursos, apoiam iniciativas que têm origens duvidosas, metem lenha no forno capitalista, não fazem sentido algum. Antes de criticarem quem come carne, olhem para as vossas próprias incoerências e mudem-nas. Chama-se crescer.

segunda-feira, maio 18, 2009

Português e a ópera

Fui ver o Carmina Burana. Era uns dos tópicos de "coisas para fazer antes de morrer". É brilhante. Infelizmente, os meus hábitos não me permitiram apreciar o espectáculo como devia. Estou habituada a ir dormir cedinho e acordar cedinho, ou seja, adormeci umas quantas vezes.

A sala era medonha, com um acústica terrível. Principalmente para um espectáculo daquela natureza. E os cartazes da Sagres por todo o lado, conferiam uma atmosfera pirosona.

Ponto alto: o indivíduo que estava atrás de mim levou uma saco do continente cheio de snacks e estava quase a estourar-me a paciência. Sempre a mexer os sacos e a fazer aqueles barulhinhos irritantes do plástico. Que passa pela cabeça de alguém para ir artilhado da batata frita e afins para um concerto de Beethoven e Carl Off? "Oh filha, despacha-te porra que o Bitóven 'tá quase a começar! Trazes a sande de coráte? E a jola?"




(estúpidos...)

sexta-feira, maio 15, 2009

Pius do meu coração

Aqui fica a lista das minhas aves favoritas:


Ciconia ciconia - A nossa cegonha. É a minha ave preferida. Nunca me canso de ir ver cegonhas.



Elanus caeruleus - Peneireiro cinzento. Só vi duas vezes, mas chegou-me. Os olhos rubi são lindos. Tenho a foto de um no meu quarto, que nunca sai de lá.


Athene noctua - Mocho galego. Se me dissessem assim "escolhe aí uma ave para ser tua amiga", era este. Gostava de ter um mocho amigo. Eu chamava e ele vinha e eu dava-lhe beijinhos. E depois ia de novo à vida dele.

~
Corvus corax - Corvo. Sempre gostei. Deve ter começado nos 90's quando vi o filme. Mas sempre respeitei a inteligência destes bichos. Para quem não sabe, é o maior pássaro do mundo. Curioso o escrever "Corvus corax" no Google e só aparecerem cenas da metalada belzebu.
Vá, já chega.

Ontem esqueceu-me

De um outro ódio de estimação: inventar títulos. Odeio ter de me lembrar de nomes para textos ou fotos ou o que for. Que coisa.

Early bird

5:34 da manhã. Olhei para o relógio e pensei "vai-te encher de moscas, man!" Aquilo não era hora. Virei-me para o outro flanco. E de volta para o mesmo. E de novo para o outro. E...

Estava desperta como se tivesse levado com um balde de Champomi gelado nas fuças. Como há poucas coisas que me irritem mais que ficar na cama quando não tenho sono, levantei-me. Despachei-me e saí de casa. Nem vos digo a hora. Vim para Lisboa munida da artilharia fotográfica. Bem, tirei meia dúzia de fotos, mas valeu o passeio. As dinâmicas matutinas são engraçadas. E fazer as coisas com calma em vez de andar sempre a correr, tem outro sabor.

Estive que tempo a observar uns pombos (sim, eu gosto de pombos e não os considero ratos voadores) a comer milho no jardim na Praça da Alegria. Estava um pequeno pardalito a tentar gamar qualquer coisinha, mas viu-se grego. Foi embora com o buxo vazio, coitado. É difícil viver num mundo de grandes, quando somos pequenos, no sentido literal e no sentido figurado.

quinta-feira, maio 14, 2009

Ódios de estimação

Nº 1 - LOL - não há castigo suficientemente doloroso para quem cunhou tal expressão. E congéneres. Hóme, não me escrevam isso. Pior, não me DIGAM isso. Sim, que há quem se expresse de tal modo. ("Barra not", não é Suss?)

Nº 2 - 50 Cent. Não vale dois tostões, quanto mais 50 cêntimos. Como se não bastasse, é imortal. Já levou 400 tiros e não morre nem por nada. Não que eu queira que ele morra, apenas bani-lo da presença de pessoas. E animais. E plantas. Pode viver sozinho num lado qualquer, não me ofende. Podíamos fazer uma ilha à la Dubai, em forma de torradeira, no meio do Mar Morto. Podia fazer lá o ninho. Acreditem que era um investimento justificável.

Nº 3 - Erros ortográficos- Faz-me espécie. Eu compreendo o analfabetismo, a dislexia e afins. Mas pessoal instruído a escrever MALE, não dá. Pah, foram à escola, lêem as legendas dos filmes e das séries, alguma coisa devem ter apreendido, ponham-na em prática, não custa nada e só fica bem.

Nº 4 - Pessoas agressivas - para quê?

Nº5 - Burocracia - é que eu tenho vivido nessa pátria. O embrutecimento intelectual, a repetição rotineira de tarefas sem sentido, o tempo perdido, os recursos gastos.

Nº 6 - Jennifer Lopez e dessas. Podia casar-se com o 50 Cent e ir para a ilha que pensei para eles.

Título

"A vida corre inteira pelas nossa mãos, a morte morre inteira pela força das nossas mãos"

Já ouvi isto cerca de 5x a mais do que queria (ouvi 6x no total, dou sempre o benefício da dúvida).

Ora bem, vamos lá analisar esta lírica bestial. Feito um esforço hercúleo (duas sinapses e meia), concluo: mas que merda.

É que prefiro aquelas letras que não fazem sentido nenhum, que cantarolamos sem pensar, tipo Nirvana. Vós, indivíduos nostálgicos dos 90's (como eu, admito, que ainda hoje vinha a ouvir Pearl Jam no comboio para me alhear dos aromas da hora de ponta, dos enconstanços "inadvertidos", das conversas diarréicas e mais que seja), eu sei que a vida, de tão trágica que era, não nos permitia dar a devida ponderação ao que cantávamos.

All we know is restitution
Living out your date with fusion
Is the whole fleece shun in bastard
Don't feel guilty masturbating

ou ainda

All we know is Restitution
Living out your date of future
Theres a hope, please show me faster
Don't forget to pass a riot

E ainda há mais versões desta música, tantas quantas as pessoas que a ouvem. A verdade é que ninguém percebe um corno do que ele diz, mas isso não importa. O pessoal queria era cantar.

Mas isso já foi! Estamos em 2009. Não há a heroína como desculpa.

quarta-feira, maio 13, 2009

Not cool

Eh pah, eu não sou fixe. É que não sou mesmo.

Não sou pessoa de sorrir a ouvir as barbaridades alheias, só para ser simpática. Então se me forem dirigidas, já se sabe, a mui conhecida sinceridade da minha pessoa que atropela sem dó nem piedade a diplomacia. Não é que eu ande por aí a oferecer opiniões, não o faço. Apenas a dou quando me é pedida ou quando se justifica fortemente. Principalmente as pessoas que me são mais próximas, já têm tanto quem lhes diga o que querem ouvir, que quando se dirigem a mim já fizeram o aquecimento às orelhas e estão prontos.

Não me impressiono com o estilo, nem o sucesso de ninguém. De tal modo que quando me começam a debitar títulos só me apetece virar as costas e ir embora. Dificilmente trato por Dr. alguém que não seja a minha médica. Tenho uma extrema dificuldade em compreender hierarquias e autoridades. Deviam ambas ser abolidas. Eu trato com o mesmo respeito um sem abrigo, o patrão, um miúdo que meta conversa comigo ou, mais frequentemente, uma qualquer pessoa com um distúrbio mental, acho que exerço uma certa atracção a essas pessoas, porque já perdi a conta às vezes que vieram ter comigo para conversar. E, a eles, nunca nego uns minutos de atenção. Já publicidades e propagandas políticas - 'tá a andar! Faço um esforço por tratar toda a gente do mesmo modo. Acho que a boa educação está pela hora da morte, já que um "obrigado", um "se faz favor" e frases semelhantes devem custar tanto dinheiro, que ninguém as desperdiça. E fico a ver mal quando seguro a porta a alguém que não me agradece de volta.

Também não me traz felicidade alguma as formas de diversão vigentes. Não gosto de "ir ao café", para juntar pessoas. Essa do "temos de tomar um café, há que tempos que não nos vemos" faz-me confusão. Em primeiro lugar, toda a gente sabe que eu não gosto de café. Em segundo lugar, porque é que para ver alguém tenho de consumir? Porque nunca oiço "havemos de ir a um jardim, meter a conversa em dia"? Alguém duvida que um jardim, sentadinha na relva é mil vezes melhor que qualquer café?

Faz-me coiso pessoas que têm medo de se sujar. Não comem o pão porque caiu ao chão. Não sentam na relva porque tem formigas ou, Deus nos livre, pulgas ou carraças. Lavam as mãos quando tocam no que quer que seja. Tomam banho todos os dias, ou duas vezes por dia. Lavam toda a roupa que tocam, mesmo que não esteja suja nem cheire mal. Usou, é para lavar. Se saem de casa sem perfume, voltam para trás. Há uma linha muito bem definida entre ser asseado e ser desperdiçador. Eu sou asseada e não tomo banho todos os dias, tenho dias que lavo as mãos uma vez, se tanto, e só lavo a minha roupa quando está a roçar a linha do socialmente aceite.

Acho que sou, basicamente, a única pessoa da minha idade que anda de transportes públicos, coisa que é considerada um desfalque terrível na linha do sucesso pessoal.

Aqui fica o melhor poema alguma vez escrito, que sei de cor desde a primeira vez que o li, algures no secundário quando o meu professor de ITI trazia estes textos fenomenais que nos obrigava a editar. Houvessem mais professores assim. Já que tínhamos que fazer truques no Word, então que tivessem como pano de fundo alguma substância que nos deixasse a pensar ao mesmo tempo que fazíamos tarefas aborrecidas.

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


Cântico Negro - José Régio

quinta-feira, maio 07, 2009

Urticária

Há coisas que me dão comichão.

Uma delas é ver o orgulho perante a ostentação de produtos que têm origens duvidosas. Ou pior, que tem origens que até nem deixam dúvidas nenhumas: saem ou passam pelo corpo maltratado de outrém. Todos nós que temos olhos e/ou ouvidos que funcionem temos uma ligeira noção de como funcionam corporações como a Nike e afins. Sabemos que os produtos são fabricados algures na Ásia por meia dúzia de tostões e vendidos por centena e tal de euros aqui. Sabemos. Sabemos também que pelo caminho fica o trabalhador que o fez e que continua com fome, o que os transporta, os revendedores, o pai já vai e o Zé do bairro que os vendeu e ganha o salário mínimo. Permite-nos o QI acima de 80 concluir para onde vai o carcanhol.

Ora, custa-me então perceber porque é que pessoas INFORMADAS usam ténis Nike como medalhas de honra. E quem diz Nike diz qualquer uma outra marca de ténis ou de roupa. Que tiram propositadamente fotos aos pés para mostrarem aquilo por que tiveram de trabalhar durante meio mês para poderem usar.

Bem, fico tentada a pensar que tentam compensar por alguma coisa. Muitas vezes constatei que assim é. Pessoas que não gastam meia caloria para ajudar ninguém, inclusivé eles próprios. Não se esmeram por explorar as potencialidades que têm de se individualizar e de tudo fazem para pertencer a um grupo.

Não dúvido que as forças de atracção ao grupo são monumentais. Mas não será muito mais recompensador sentir que, estando alerta, nos recusamos a fazer o que esperam de nós? Sentir que a nossa existência não está pré-programada pelas forças do marketing?

Mete-me o Flávio mais uma vez a pensar com algo que me diz. Falávamos nós da necessidade de informação, que preferia morrer consciente e miserável que viver alegremente estúpida e ignorante a vida toda. Relembra-me ele que eu não tenho como ter noção de como a realidade que eu observo pode estar alterada. E é tão verdade. Eu consigo observar o mundo do ponto de vista que tinha com 15 anos, quando sabia muito menos que agora. É totalmente diferente do mundo que observo agora, não que o mundo tenha mudado assim tanto neste últimos 10 anos, mas porque os meus olhos mudaram.

Ando a ler (com vários anos de atraso) o No Logo, da Naomi Klein. Alterou-me mais uma vez a realidade. Se todos sabemos aquilo que referi no início do texto, neste livro vem muito daquilo que não sabemos. Muitas coisas eu suspeitava, obviamente. Mas não tinha noção da dimensão do problema. E que problema é esse? As marcas. A forma como usurpam o nosso espaço físico e mental, a nossa liberdade enquanto indivíduos e enquanto seres sociais que somos.

Outra micose que me dá é a da minha hipocrisia. Eu tenho marcas. Felizmente nunca fui tarada pelo assunto, mas tenho. Nunca fui capaz de comprar uns ténis de 10 euros. Mas a minha mentalidade está a mudar. Aflige-me agora a falta de alternativa. Tudo que se vê à venda é ou caro, ou feito num recanto miserável do mundo, ou tem pele.

Urge encontrar-se uma TAZ onde eu possa fazer o ninho...



segunda-feira, abril 27, 2009

Ihh ca...

Artigo de Gonçalo Pereira, editor executivo do jornal 24Horas, no Global de 24/04/2009:

"O Darfur depois de Woody Allen

A actriz Mia Farrow vai iniciar um jejum em nome do povo do Darfur. Durante algum tempo, recusa comer. Apenas água lhe passará pela goela. E, infelizemente, algum ar. Quando a larica apertar, alguém porá a mesa e ela tratará de comer do bom e do melhor, enquanto os desgraçados lá na Somália, coninuarão a morrer de fome e, eventualmente, de sede. Cá temos mais um acto inconsequente...

Que mais esperar da uma mulher que inclui no cardápio das causas pelas quais lutou, a aniquilação moral de um cineasta genial, cujo maior erro foi, um dia, ter-se apaixonado por esta mulher com voz estridente e falta de apetite. Woody Allen merecia melhor sorte. O povo do Darfur também (até mais, porque, ao contrário do Woody, os somalis nunca a escolheram para sua mulher)."



É precisamente este tipo de raciocínios que me fazem paragens de digestão. E lá respondi ao diário em questão:

"Surge um artigo de opinião no Global Notícias do dia 24 de Abril da autoria de Gonçalo Pereira que, num tom sarcástico menospreza a iniciativa de Mia Farrow de fazer uma greve de fome pelo Darfur. Ora, talvez a maioria das pessoas aproveitasse a oportunidade para tentar saber um pouco mais de o que leva uma celebridade a fazer greve de fome pelos problemas de uma região, procurando talvez pôr-se a para do que se sucede no tal Darfur. Mas não Gonçalo Pereira. Esse decide que o Darfur é um problema secundário, que nefasto para saúde social é o facto de passar algum ar pela goela de Mia Farrow, reproduzindo a expressão que ele mesmo utilizou.

Refere ele que muito não poderia esperar de uma mulher que tentou denegrir a imagem do seu idolatrado Woody Allen. Claro, que o facto de este se ter casado com aquela que foi um dia criada por ele, quando vivia maritalmente com a sua mãe não é para aqui chamado. Certamente que Gonçalo Pereira acha perfeitamente normal que a figura parental se case com a prole e que Mia Farrow é louca por lhe causar uma certa abjecção tal acontecimento.

Para Gonçalo Pereira, Woody Allen e os somalis merecia melhor sorte que esta mulher de voz estridente e falta de apetite.

Para o restante mundo que tenha no mínimo 1/5 do cérebro a funcionar, Mia Farrow merecia melhor que se ter apaixonado pelo homem que lhe levou a filha. Porque tem dedicado a sua vida aos mais desfavorecidos.

Para o resto do mundo, o povo do Darfur merece mais que Gonçalo Pereira. Que perante a notícia da greve de fome de Mia Farrow se preocupou com trivialidades e lhe passou ao lado aquilo por que Mia Farrow se absteve de comer. Chamar a atenção para um conflito que dura há anos e tem ceifado centenas de milhar de vidas perante o desprezo do resto do mundo.

Darfur, essa região no oeste do Sudão e não na Somália, soubesse isso Gonçalo Pereira se tivesse pesquisado.

Cabe também ao Global Notícias a melhor escolha das pessoas a quem pede a opinião. "

sábado, abril 11, 2009

Mr. Alan Shore

Raras vezes tenho o prazer de assistir na tv a um programa de ficção que me aguce a vontade de ser melhor, de procurar mais fundo, de me questionar mais uma vez. Ver ficção e ficar horas a pensar no que aprendi - algo que que deveria acontecer mais vezes.

Eis que surge, para exaltação dos meus sentidos, a série Boston Legal. Diálogos deliciosos entre duas das personagens principais Denny Crane e Alan Shore, que se debatem com o sentido das suas vidas. Duas personagem opostas no espectro político e juntas na total confusão dos meandros do amor.

Mas, ponto alto dos episódios, os argumentos finais de Alan Shore. Um democrata, profundamente preocupado com questões ambientais e sociais, que não se abstém jamais de dizer o que todos pensam e ninguém diz.

Podia ficar aqui parágrafo atrás de parágrafo a dizer o que me fascina nesta personagem e na série em geral. Mas deixo aqui um dos argumentos finais do Alan Shore.

Alan Shore: When the weapons of mass destruction thing turned out to be not true, I expected the American people to rise up. Ha! They didn't.

Then, when the Abu Ghraib torture thing surfaced and it was revealed that our government participated in rendition, a practice where we kidnap people and turn them over to regimes who specialize in torture, I was sure then the American people would be heard from. We stood mute.


Then came the news that we jailed thousands of so-called terrorists suspects, locked them up without the right to a trial or even the right to confront their accusers. Certainly, we would never stand for that. We did.


And now, it's been discovered the executive branch has been conductin
g massive, illegal, domestic surveillance on its own citizens. You and me. And I at least consoled myself that finally, finally the American people will have had enough. Evidentially, we haven't.

In fact, if the people of this country have spoken, the message is we're okay with it all. Torture, warrantless search and seizure, illegal wiretappings, prison without a fair trial - or any trial, war on false pretenses.

We, as a citizenry, are apparently not offended.
There are no demonstrations on college campuses. In fact, there's no clear indication that young people seem to notice. Well, Melissa Hughes noticed.

Now, you might think, instead of withholding her taxes, she could have protested the old fashioned way. Made a placard and demonstrated at a Presidential or Vice-Presidential appearance, but we've lost the right to that as well. The Secret Service can now declare free speech zones to contain, control and, in effect, criminalize protest.
Stop for a second and try to fathom that. At a presidential rally, parade or appearance, if you have on a supportive t-shirt, you can be there. If you are wearing or carrying something in protest, you can be removed. This, in the United States of America. This in the United States of America. Is Melissa Hughes the only one embarrassed?

[...]

Alan: And what I'm most sick and tired of is how every time somebody disagrees with how the government is running things, he or she is labeled unAmerican.

U.S. Attorney Jonathan Shapiro: Evidentally, it's speech time.


Alan: And speech in this country is free, you hack! Free for me, free for you. Free for Melissa Hughes to stand up to her government and say "Stick it"!


U.S. Attorney Jonathan Shapiro: Objection!


Alan: I object to government abusing its power to squash the constitutional freedoms of its citizenry. And, God forbid, anybody challenge it. They're smeared as being a heretic. Melissa Hughes is an American. Melissa Hughes is an American. Melissa Hughes is an American!

Judge Sanders: Mr. Shore. Unless you have anything new and fresh to say, please sit down. You've breached the decorum of my courtroom with all this hooting.


Alan: Last night, I went to bed with a book. Not as much fun as a 29 year old, but the book contained a speech by Adlai Stevenson. The year was 1952. He said, "The tragedy of our day is the climate of fear in which we live and fear breeds repression. Too often, sinister threats to the Bill of Rights, to freedom of the mind are concealed under the patriotic cloak of anti-Communism."


Today, it's the cloak of anti-terrorism. Stevenson also remarked, "It's far easier to fight for principles than to live up to them."
I know we are all afraid, but the Bill of Rights - we have to live up to that. We simply must. That's all Melissa Hughes was trying to say. She was speaking for you. I would ask you now to go back to that room and speak for her. "It's far easier to fight for principles, than to live up to them."

quinta-feira, abril 09, 2009

Chamem a polícia! Ou na volta é melhor não...

Ian Tomlinson.

Que este nome não seja esquecido. Mais uma baixa de uma guerra que teima em manter facções mal delineadas. Que se sabe? Era um senhor que vendia jornais. Vinha a caminhar para casa depois do trabalho e foi apanhado no meio de uma manifestação e, sem ter provocado ninguém, foi atirado ao chão, levou umas bastonadas, ergue-se, cambaleou um pouco e ficou prostrado no chão. Um ataque cardíaco fulminou-o. Quem o agrediu? A polícia britânica, a mesma que posteriormente negou alguma vez se ter cruzado com o homem. A mesma que foi apanhada pela câmara de um americano que se encontrava numa viagem de negócios. A mesma que abriu agora um inquérito para averiguar o que se passou e apurar responsabilidades.

Jean Menezes. Um brasileiro que foi baleado 7 vezes na cabeça, confundido com um bombista-suicida, no metro londrino. Façam vocês os raciocínios que tiverem a fazer.

Não nos servem e não nos protegem. E não chegam aos fins para os quais usam meios injustificáveis.

terça-feira, abril 07, 2009

E aqui e agora?

Debato-me frequentemente com a sensação de não encaixar em lado algum, à semelhança de todas as outras pessoas que numa ou noutra altura da sua vida sentiram o mesmo. Qual é a originalidade do meu sentimento? O facto da dicotomia do viver "confortavelmente" na sociedade em que estou instalada/viver no campo isolada, em contacto com a Natureza, me trazer dúvidas existenciais a cada passo que dou.

A verdade é que não seria eu se vivesse hermética em apenas um dos ambientes. Por um lado, tenho de saber o que se passa no mundo, ter acesso imediato à informação, pensar em formas de agir, ponderar os passos a tomar para evitar cair nas baladas artificiosas que nos cantam constantemente e nos atingem por todos os lados. "Ignorance is bliss" - já tentei e não consigo viver sob este paradigma.

Por outro lado, tudo aquilo que abomino na sociedade, a lógica do lucro que se sobrepõe à justiça e à compaixão, a mesquinhez e a avareza que eclipsa a solidariedade e os laços entre todos, o encadeamento na linha de montagem social, em que se entra quando se nasce e poucos saltam dela para viver sob as suas próprias expectativas e não as dos outros, nada disso será abolido enquanto não mudarmos a escala do nosso raio de acção.

A forma de organização da sociedade pensada ao nível das fronteiras conquistadas em conflitos, desenhadas em reuniões (ou terão sido aulas de geometria?) e não justificada a sua génese que não por estes ou outros motivos inqualificáveis, não é sensível às necessidades de todos e de cada um.

O desperdício que resulta das acções globais, ao mesmo tempo que largos números de pessoas nada têm, deveria ser considerado o maior dos males.

Talvez seja utópica a minha forma de pensar, porque acredito (bem... até certo ponto) que a sociedade se pode redimir, caminhando noutro sentido, pensado localmente, agindo localmente, ignorando barreiras tangíveis a que o coração não jura lealdade, o meu pelo menos.

Mas, com a minha utopia, vem também a esperança. É que fica por provar que é impossível, que não funciona. Aquilo que me têm sugerido já me mostrou o que podia ser. Um falhanço.

Aguardo o dia em que o Sol quando nascer, seja de todos. TODOS.

quinta-feira, março 05, 2009

Força

Que força é essa que nos retém quando queremos falar e não dizemos nada, quando queremos largar tudo e fugir e não saímos do sítio, quando vemos injustiças e olhamos para o lado, quando sabemos que não agimos bem e não nos mudamos?