sexta-feira, maio 30, 2008

Inércia, solidão, desânimo e objectivos

Dois empregos e faculdade para acabar. A pressão para "ser alguém" aliada à (des)motivação do "assim hás-de ir longe, tsc tsc".

Honestamente, não é que não ligue ao que os outros pensam de mim e do que eu faço, mas raras vezes isso se traduz numa mudança de comportamento. Eu oiço o que me dizem e sinto frequentemente a sensação de desilusão nas pessoas por eu não pôr em prática os seus conselhos, mas acabo sempre por fazer aquilo que a mim me parece correcto. Que nunca, ou quase, coincide com a definição geral de "correcto".

A verdade é que eu escolhi percorrer um caminho que poucos seguem. A diferença, por vezes, é díficil de ver. Eu olho para a minha vida e para a vida dos que me rodeiam e não diferem assim tanto. A diferença é no grau de consciência do estado em que me encontro.

Dizia o Sócrates que o ignorante não duvida porque desconhece que ignora. E é precisamente isso que penso da vida de toda a gente (pelo menos de boa parte). Acho que uma das melhores coisas que já adquiri foi a capacidade de duvidar. Eu duvido o suficiente de tudo para me prestar a uma boa dose de meditação sobre tudo, para que possa tirar as minhas próprias ilações. Eu procuro saber sempre o que está por trás das respostas que me dão, depois então as aceito como credíveis ou não. Resultado: eu sei o que a minha vida é e eu sei o potencial do que uma vida pode ser. Não num sentido idealista, de quem vê a vida dos outros na tv e sonha poder ter uma igual.

As injecções de informação têm-me servido para isso. E, qual lótus, nascem os meus objectivos, do lodo que é a inércia, a solidão e o desânimo. E aquele que me ferve mais o sangue é precisamente passar aos outros as lições que tenho aprendido. Não como um mestre ensina os seus discípulos. De um modo bem mais humilde: procurando a verdade e expondo-a para que os outros assimilem e tomem as suas decisões. Seja pela escrita, seja pela fotografia, seja pelas minhas acções.

Não que ache que isso vai fazer a diferença, tantos antes de mim o tentaram e a verdade é que a Terra não o alterou o seu eixo por isso. E não é motivo suficiente para eu deixar de o fazer.

Um dia destes...