Pearl Jam.
Esse marco incontornável da minha adolescência. Das calças rasgadas, os All Stars, as Doc Marteens, as camisas de flanela aos quadrados, os cabelos compridos até mais não...
Quem me conhece sabe que A banda para mim era Nirvana. Não havia um centímetro quadrado de parede do meu quarto que não fizesse alusão ao grupo. Mas Pearl Jam teve o seu lugar. Pelos motivos que todos sabemos, ver um concerto de Nirvana nunca foi possível. Mas fui dia 8 de Junho ver um de Pearl Jam.
Devo dizer que só agor me senti capaz de escrever sobre isso.
Independentemente da evolução dos meus gostos musicais desde os longínquos mid '90s, da fase da matrequice, à passagem pelo punk-hardcore e à minha actual situação (que não sei descrever), nada me marcou como o grunge. Emocionalmente falando. Grunge representava precisamente tudo o que eu sentia. Não sendo uma pessoa introspectiva, esgotava as minhas energias todas a pensar nos meus problemas (que vejo hoje que eram bem menos do que eu pensava). Não sendo depressiva, era extremamente pessimista. A música era a minha melhor amiga. Sentia que todas as letras tinham sido escritas por mim.
Ter-me virado para o hardcore fez-me voltar para fora. Prestar atenção às questões sociais, ganhar consciência política, apaixonar-me por causas. Isso mudou tudo em mim. A forma como encaro o mundo, como ajo, como penso. Mas também marcou o ponto em que deixei de me sentir como me sentia. Não é que me negligencie ou que vá dizer com um sorriso cínico "eu não penso em mim, só nos outros", mas a verdade é que não sinto as coisas intensamente, como sentia antes. Quando digo "coisas" refiro-me às que me concernem. Sinto intensamente o mundo à minha volta, mas estou numa semi-letargia emocional.
Algés, dia 8 de Junho de 2007. Eu, o Zé, o Alex e mais outras pessoas vimos o concerto de Pearl Jam. Faço só referência a esses dois porque são duas pessoas muito importantes para mim e tê-los ao meu lado nesse concerto fez muita diferença. O concerto foi indescritivelmente bom. As músicas bem tocadas, ou não andassem eles nisto há quase 20 anos. O Eddie Vedder criou uma relação com o público incrível. Ele brinca com o público. Mas eu voltei quase uma década atrás e senti-me. Por vezes fechava os olhos e só estava lá eu e a banda e os meu problemas de menina. Foi estupidamente intenso para mim. Nem vou continuar a descrever o que senti. Vim de lá e flutuava.
E foi bom entrar na máquina do tempo. Muito bom. "I´m still alive", já diziam eles.
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2 comentários:
:) Nivarna...
bons tempos...cantar Nirvana no intervalo...reflectir sobre o que as letras representavam...muito marcante mesmo!
fogo..estou velha..:s ehehe
como o que dizes, me faz sentido, e como ainda hoje Pearl Jam me toca no fundo do meu ser! "I'm Still Alive", lema de vida!
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